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Arquitetura corporativa como valor e diferencial

Arquitetura corporativa como valor e diferencial

27 de julho de 2016

Uma matéria recente publicada no jornal inglês The Economist, fala sobre uma “batalha de edifícios corporativos” que estaria virando tendência não só nas mega corporações de tecnologia como o Google, a Amazon e a Apple, mas também em empresas de outros setores mais tradicionais como a Lego, a Adidas, a Siemens e a Airbus.

E o mais interessante é que um dos motivos desta aparente vaidade seria a de “encantar” novos talentos. Segundo o CEO da Lego, Jorgen Vig Knudstorp, com o envelhecimento da população européia há o temor de que haja uma menor disponibilidade de novos talentos como designers, engenheiros de softwares e outros profissionais similares. E a arquitetura corporativa exerceria também peso na decisão deste público mais jovem que, segundo pesquisas, se preocupariam menos com status e títulos e mais com a visão da empresa e a existência de um ambiente que proporcione senso de escolha.

 

O novo quartel general da Lego na Dinamarca, assinado pelo escritório de arquitetura CF Moller, tem várias características comuns a esta nova safra de edifícios corporativos: extensas áreas verdes (tanto internas quanto externas, escadarias coloridas, mesas compartilhadas (não estações de trabalho individuais), um átrio monumental com grandes extensões de vidro, espaço para a prática de exercícios (a Lego tem um campo de minigolfe na cobertura) e diretrizes para baixo consumo de energia.

 

 

A nova sede da Adidas, na Alemanha, do escritório dinamarquês de arquitetura Cobe (que venceu um concurso para este projeto), desenvolveu uma estrutura chamada “World of Sports” com 11 mil m². O edifício se mescla com o ambiente externo, criando uma estrutura aberta, verde e receptiva que visa reunir toda a “família Adidas”, composta por colaboradores, estrelas do esporte e visitantes.

 

Na nova sede da Siemens em Munique, com projeto do escritório de Arquitetura Henning Larsen, a tônica é a sustentabilidade. O prédio é um dos mais sustentáveis do mundo e utiliza como diferencial para poupar energia o sistema geotérmico. A cada hora, são bombeados cerca de 100 mil litros de água ao longo de 70 quilômetros de tubulação, o que permite aquecer ou esfriar os ambientes de acordo com a necessidade.

 

Na nova sede da Airbus em Toulouse, na França, chamada “Wings Campus”, o diferencial foi a criação de vários espaços de trabalho colaborativos. A ideia é incentivar uma maior interação entre os funcionários. Segundo o presidente da empresa, o edifício mostra que a Airbus é uma “empresa inovadora, de mente aberta, com os olhos voltados para o futuro”.

 

Mas, será difícil para outras grandes corporações enfrentar a concorrência das empresas do Vale do Silício.

A Amazon pretende erguer o Biodome, projeto do escritório de arquitetura NBBJ. É um conjunto de 3 esferas de vidro com mais de 30 metros de altura. O projeto incluirá áreas públicas e privadas, permitindo maior interação com a Comunidade. O edifício terá 1.800 m² de áreas comerciais, com amplos espaços de de trabalho, alimentação, encontro e estar.

 

A Apple já obteve aprovação de seu projeto para uma nova sede em Cupertino, na California. Uma espécie de “nave espacial” projetada pelo escritório Foster+Partners, com 260 mil m². A sede abrigará 14 mil funcionários, terá um restaurante com 600 lugares, mais de 6 mil árvores em seus arredores e custará quase 5 bilhões de dólares.

 

 

A nova sede da Google na California, chamado Bay View, projetada pelo escritório de arquitetura NBBJ terá 100 mil m². São 9 retângulos conectados por pontes. A estrutura terá uma cobertura verde com café e espaço de convivência. O espaço foi pensado não a partir de uma perspectiva arquitetônica, mas sim a partir de uma perspectiva de experiência de trabalho. Na área interna, há espaço para se exercitar e até uma pista de bike indoor para locomoção dos colaboradores.

 

 

As grandes corporações já perceberam a importância e o peso do projeto arquitetônico, inclusive como fator de captação e manutenção de talentos. Mas mais do que isto, a arquitetura é um dos melhores veículos para materializar o branding das empresas. As linhas do projeto, os espaços, os ambientes, a decoração, tudo contribui para formar uma percepção instantânea  dos valores e da cultura empresarial junto aos seus diferentes públicos (clientes, investidores, colaboradores, fornecedores, competidores, parceiros, governo e a comunidade).

 

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