Voltar | Home / Mídia / Arquitetura hospitalar humanizada – conforto luminotécnico.

Arquitetura hospitalar humanizada – conforto luminotécnico.

Arquitetura hospitalar humanizada – conforto luminotécnico.

28 de setembro de 2016

Dando continuidade ao tema da humanização na arquitetura hospitalar (iniciada com o post sobre conforto acústico), hoje iremos discorrer sobre a influência do conforto luminotécnico.

A luz, muito além de somente cumprir uma ação funcional importantíssima, também desempenha um papel de destaque na composição de ambientes hospitalares humanizados.

Os Projetos de Iluminação são geralmente divididos em dois sistemas: o Principal e o Secundário. O Principal envolve o suporte às atividades funcionais e laborativas desempenhadas em uma edificação, e o Secundário dá ênfase à personalidade do espaço, à sua ambientação por meio da luz e à criação de efeitos especiais.

Uma edificação hospitalar utiliza os dois sistemas. O Principal em áreas funcionais como: salas cirúrgicas, laboratórios, corredores, procedimentos, etc. Este projeto tem como objetivo oferecer um nível excelente de visibilidade, segurança e orientação dentro de um ambiente associado às atividades produtivas. Este tipo de iluminação funcional é chamada de “Luz da Razão” e se caracteriza geralmente pela utilização de luz fria, de tonalidade branco-azulada. As lâmpadas deste tipo de luz tem entre 4.000 a 5.000 Kelvin (temperatura da luz), o que gera uma sensação de estímulo. Há um parâmetro técnico para iluminação em ambientes hospitalares, regido pela ABNT (Associação Brasileira de Normas Técnicas) 5413.

Exemplos de Luzes em áreas laborativas.

 

Já o Sistema Secundário se aplica às áreas de permanência ou espera de pacientes e seus acompanhantes. Nestes ambientes se utiliza uma luz quente, de tonalidade branco-amarelada, que torna o ambiente mais aconchegante e acolhedor. É próximo do padrão de iluminação de residências. A chamada “Luz da Emoção”. As lâmpadas deste tipo de luz tem entre 2.800 a 3.000 Kelvin.  E é sobre este sistema que nos ateremos.

O conforto luminotécnico envolve a interpretação de estímulos físicos que podem ser mensurados por meio de respostas fisiológicas (sensações), mas também envolve um caráter subjetivo relacionado às emoções que são de difícil avaliação. Além disto deve se levar em conta também o perfil dos usuários. Por exemplo, alas infantis precisam de uniformidade nas cores e tons para que a luz não gere contrastes e padrões de sombra, porque isto as assusta. Já em setores geriátricos, deve-se evitar o ofuscamento da vista, situação comum ocasionada pelo desgaste tanto da retina quanto da córnea.

A luz mais confortável para os nossos olhos é a luz natural. E quanto menor for o esforço de adaptação do indivíduo à iluminação artificial, maior será a sensação de conforto. Por isto é necessária a utilização de lâmpadas que reproduzam adequadamente as cores e evitam o ofuscamento tanto direto quanto indireto (refletido por superfícies brilhantes). Cores escuras absorvem a luz e claras refletem. Superfícies com textura rugosa refletem menos a luz do que lisas. Vidros não refletem, por outro lado espelhos refletem em 100%.

Uma alternativa interessante é implantar a modulação de intensidade (dimerização), gerando possibilidade de aumentar ou diminuir a intensidade das várias luminárias, modificando gradualmente a percepção do ambiente.

Exemplos de ambientes com conforto luminotécnico.

 

O Sistema Secundário pode ter diferentes aplicações:

Exemplos de luzes arquitetônicas.

 

É importante acrescentar que o suporte da iluminação artificial contribui para a ambientação humanizada, mas nada supera a iluminação natural. A visão e percepção de luz solar exerce efeito calmante, o que contribui para a amenização de situações de stress e quadros depressivos. Mas há efeitos físicos também; uma fonte de radiação solar emite ondas eletromagnéticas com diferentes comprimentos de ondas: infravermelha (responsável pela sensação de calor), espectro visível (a luz) e ultravioleta, responsável pelo bronzeamento da pele e eventual despigmentação de alguns tecidos, mas também exerce efeito higiênico (pois elimina bactérias e fungos).

Exemplos de projetos que contemplam iluminação natural.

 

 

A luz é um elemento fundamental na composição da arquitetura humanizada em ambientes de cura e contribui para a saúde e bem-estar tanto de pacientes, quanto de acompanhantes e colaboradores. Use-a a seu favor e procure sempre um especialista.

 

 

Top