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Como o mercado da construção sustentável está sendo revolucionado.

Como o mercado da construção sustentável está sendo revolucionado.

16 de dezembro de 2016

Adotar comportamentos sustentáveis e de preocupação com o meio ambiente que nos cerca tornou-se algo corriqueiro, intrínseco ao pensamento de uma sociedade moderna. Avaliar o ecossistema, buscando causar o mínimo de impacto causado pelas construções deu origem à arquitetura sustentável, chamada também de arquitetura verde ou eco-arquitetura. Entende-se por sua missão atender as necessidades de uma população, sem comprometer as gerações futuras, otimizando processos de construção, diminuindo a produção de resíduos resultantes e o consumo energético. Considerado um movimento recente, iniciou-se em 1970 com a crise do petróleo.

Sua precursora, a arquitetura bioclimática é conceituada como a integração da edificação com seu entorno, considerando questões climáticas e lançando mão de recursos naturais para reduzir o impacto e promover a perfeita integração construção-natureza. Tal definição impactou diretamente a arquitetura verde com suas edificações. Vale ressaltar os seguintes pontos para a compreensão do tema:

 

Contextualização Histórica – No Brasil, entre 1930 e 1960, a arquitetura moderna começa a sinalizar os primeiros insights da arquitetura sustentável, com a utilização de quebra sóis, claraboias e cobogós em projetos arquitetônicos, ressaltando a compreensão das condições climáticas e de geometria solar, reduzindo o consumo de energia elétrica.

Nas décadas seguintes, a pauta ressurge com força total, dando forma ao que havia começado há 20 anos. Encontros como o Rio ’92 e o Rio +10 promoveram o encontro de autoridades internacionais para a discussão sobre como os recursos naturais estavam sendo utilizados até então. A partir daí são desenvolvidas metas e protocolos para o desenvolvimentos sustentável do mundo. Em 1997, o Earth Council chega a uma decisão alarmante: 20% da capacidade global de recursos naturais havia sido utilizada até a década de 1980. Mas é a partir dos anos 2000 que a arquitetura sustentável toma forma, com os conceitos de qualidade ambiental aplicados em todas as etapas da construção, respondendo aos princípios básicos de sustentabilidade, definidos pela Associação Brasileira de Escritórios de Arquitetura e o Conselho Brasileiro de Construção Sustentável.

 

Produtos e Materiais Sustentáveis – Responsáveis diretamente pela certificação de uma obra como sustentável, os materiais e produtos utilizados na obra devem agregar a responsabilidade social e ambiental à obra. Combinados com recursos que tragam eficiência energética, uso consciente da água e técnicas construtivas inovadoras. Conforme informações divulgadas pela Sociedade de Pesquisa sobre Materiais Industriais Renováveis, a construção de 1,7 milhões de casas com materiais comumente utilizados consome a mesma quantidade de energia que o aquecimento e a refrigeração de 10 milhões de casas por ano. Diante de tal fato, não resta dúvida, torna-se essencial fazermos a obra mais sustentável possível.

 

Resíduos na Arquitetura Sustentável – Os resíduos sólidos provenientes da construção ou reforma de edificações deixa de ser descartado como entulho e passa por um processo de trituração, transformando-se novamente em matéria-prima a ser reutilizada. Vale lembrar que a gestão dos resíduos deve ser realizada ao longo de toda a obra, separando os materiais para a reciclagem.

 

O Valor de Projetos Aplicando Arquitetura Sustentável– Ao contrário do que se pensa, uma obra não se torna mais cara com o uso de recursos sustentáveis e reciclados. Observa-se que há um acréscimo de 5% no valor da obra, baseando-se em construções tradicionais, que é revertido na sequência em uma economia de 30%, quando da ocupação e usufruto (custo de operação pelo seu tempo de vida útil) do imóvel.

 

Arquitetura Sustentável no Brasil – No Brasil, profissionais da área passaram a dar a devida atenção à arquitetura sustentável por volta de 1990, buscando atender critérios de certificações mundiais como a LEED (Leadership in Energy and Environmental Design, em português, Liderança em Energia e Design Ambiental). Segundo pesquisa divulgada pela GBC (Green Building Council) Brasil, organização que tem em seu escopo estimular a construção sustentável no Brasil, no primeiro quadrimestre de 2016, foram registrados 81 novos projetos, contra 45 em 2015. Essa é a prova de que a sustentabilidade tem cada vez mais visibilidade no país.

 

ACR arquitetura X Sustentabilidade – A acr arquitetura acha que a arquitetura está em uma arena essencial para a inovação sustentável. O projeto pode e é um poderoso agente de mudança, porém é preciso cuidado para que o visual não se sobreponha à inovação e que a inovação traga soluções para os problemas mais graves.

A acr arquitetura acredita ainda que todos deveriam projetar construções que satisfaçam pelo menos um padrão mínimo de desempenho sustentável. Um bom exemplo de um projeto sustentável da acr é o projeto de ampliação do Colégio Miguel de Cervantes, em São Paulo, ao captar água de chuva para reuso e captar energia solar para a iluminação e aquecimento de água.

Segue abaixo alguns cases reais de arquitetura sustentável para ilustrar o que falamos:

 

Localizada na cidade de Taichung, em Taiwan, será construída a torre que, ao final da obra, será o edifício mais verde do mundo. Com o auxílio da biotecnologia e tecnologia botânica, a Bionic-Arch será autossuficiente, com emissão zero de CO2 (Foto 1).

O Uruguai tem a primeira escola da América Latina completamente sustentável. O colégio público, batizado de “Ecoescola Sustentável” foi construído com a participação de 200 voluntários de 30 países. Sua construção teve 60% de sua base proveniente de materiais recicláveis (Foto 2).

 

O case do Supermercado U é um sucesso no quesito de sustentabilidade em grandes redes de varejo. Em 2008, a tecnologia Hyper U Arcs-sur-Argens é uma loja piloto visando a alta qualidade ambiental. O uso de materiais não poluentes e 20 000 m² de espaços verdes, fortemente envolvido na sua integração no ambiente local. Ele consome em média 30% menos energia e 50% menos água do que uma loja padrão (Foto 3/3a).

 

O Pixel é um edifício comercial de quatro andares,  situado em Melbourne, na Austrália. O prédio emprega, diversas estratégias ambientais, como sistema de vácuo para os vasos sanitários – minimizando a utilização de água nas descargas –, absorção de água da chuva por meio do telhado-jardim, além do tratamento de resíduos tóxicos para a obtenção de energia, utilizando a técnica de digestão anaeróbia de esgoto. Enquanto isso, os painéis solares e as turbinas eólicas de eixo vertical, instaladas na cobertura, geram energia suficiente para compensar o uso de eletricidade do imóvel (Foto 4/4a).

 

 

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