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O uso da madeira na arquitetura em tempos de sustentabilidade

O uso da madeira na arquitetura em tempos de sustentabilidade

25 de outubro de 2017

Em tempos de “abaixo o desmatamento”, a madeira, mesmo sendo um produto renovável, vem cada vez mais perdendo espaço no momento em que o arquiteto especifica aquele ou outro material para executar o seu projeto. Foi o que apontou a pesquisa Especificação de Madeira nos Escritórios de Arquitetura publicada em 2015 pela ONG WWF-Brasil e pela Associação Brasileira dos Escritórios de Arquitetura (Asbea).

Na época, diferentes profissionais de 28 empresas com sede em São Paulo (SP) responderam ao questionário. Os resultados apontaram que 57% dos entrevistados sentem dificuldades para incluir madeira em seus projetos e 71% afirmam que não há informações técnicas e de mercado para efetivar essa inclusão por “n” motivos. Entre eles, estão a falta de manuais, de locais onde verificar aplicações recomendadas, detalhes de referência e tratamentos específicos, entre outros.

 

Resistência à madeira como solução arquitetônica

O que mais chamou a atenção nesse levantamento foi que 61% dos arquitetos resistem ao uso da madeira em seus projetos porque os custos são altos. E certamente essa percepção não mudou nos últimos dois anos. Afinal, algumas árvores foram extintas com a exploração predatória e nociva. Não existem mais algumas madeiras maciças e nobres, como o pinho-de-riga e o mogno. E parece que a prática do manejo florestal sustentável ­ que garante que a floresta de origem continuará oferecendo suas riquezas para as gerações futuras ­ ainda não afastou por completo a imagem negativa da extração ilegal e indevida.

O Programa Madeira é Legal, da WWF-Brasil, nos últimos oito anos vem apostando na divulgação de espaços de intercâmbio e discussão, para que haja troca de experiências e tecnologia sobre o tema, desmistificando alguns conceitos sobre o uso da madeira na Construção Civil e na Arquitetura. Será que essa mudança vai acontecer?

 

Custo-benefício dos materiais com aspecto amadeirado

Na prática, os arquitetos em geral e também a acr arquitetura indicam atualmente outros materiais com aspecto amadeirado mas que não são madeira, ficando com o significado do produto, como a sensação de calor, aconchego e conforto aos ambientes, humanizando-os.

O uso do MDF para a marcenaria ainda é polêmico pela presença em sua composição de produtos químicos; a toxidade desses materiais ainda continua em estudo. O que é certo é que o custo-benefício é mais interessante do que o da madeira propriamente dita em função da própria sustentabilidade – não se extrai madeira –, da durabilidade e manutenção.

Vale citar a cortiça que recentemente deixou de ser usada para fazer rolhas e painéis para colocar fotos. De 8 em 8 anos, em média, consegue-se extrair a casca para fazer a cortiça sem matar a árvore. Seria um revestimento sustentável, porém chegou ao mercado com um preço elevado. Na realidade, tudo o que é sustentável é mais caro, e tudo que acaba sendo nocivo é mais barato. Essa é a crise ecológica em que a gente vive, em função do lucro imediato, se esquecendo que é uma conta aberta para ser paga pelas próximas gerações.

 

Uso da madeira artificial no piso, no teto e nos móveis

Na acr arquitetura a equipe está sempre atenta para especificar sempre o que é melhor de acordo com o público e os valores da empresa, sobretudo nos projetos de arquitetura hospitalar e de saúde, visando ao melhor custo-benefício, à inovação, à humanização e à sustentabilidade. No piso, por exemplo, uma ótima opção é o piso vinílico amadeirado, que agrega os valores associados à madeira e é de fácil instalação, mudança, manutenção e limpeza.

Quanto aos móveis e aos forros, a preferência tem sido pelo MDF – Medium Density Fiberboard –, uma placa de fibra de média densidade, fabricada com resinas sintéticas, ou pelo laminado decorativo de alta pressão, que permite fazer “curvas”. Os dois revestimentos oferecem textura diferenciada e uma infinidade de padrões de madeira. Você escolhe a “sua” madeira.

 

Tecnologia Finger e soluções ecológicas diferenciadas

Outra solução bem interessante é usar a tecnologia Finger, em que se “monta” um grande painel de madeira maciça com pedaços de madeira. Uma das mais usadas é a Teca, madeira medianamente leve que apresenta boa resistência à tração e flexão. O bambu, culturalmente muito valorizado na China, também vem sendo utilizado em assoalhos. O aspecto é bem bonito, mas ainda de alto custo. Apostar na garrafa pet como sugestão ecológica na construção de um deck de piscina, por exemplo, também pode pesar no bolso. Mas a manutenção é zero, possui longa durabilidade e impressiona pela apresentação final: há quem jure que é madeira de verdade.

Enfim, a decisão de usar ou não a madeira em detrimento das diversas opções artificiais que o mercado oferece deve sempre se basear no bom senso e na busca pelo melhor material, levando-se em conta o propósito de apresentar um projeto arquitetônico adequado às necessidades do cliente, sem deixar de agregar valores aos espaços.

 

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