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Projeto de ambientes médicos: a interação entre design e saúde

Projeto de ambientes médicos: a interação entre design e saúde

29 de outubro de 2018

Recentemente tive a chance de reler o artigo “Uma abordagem salutogênica em relação ao projeto de ambientes médicos no setor público”, assinado por Alan Dilan, na edição nº 11 da revista IPH – Instituto de Pesquisas Hospitalares Arquiteto Jarbas Karman.

O autor é uma autoridade em pesquisa interdisciplinar sobre a interação entre design e saúde e também um dos fundadores da Academia Internacional de Design e Saúde (IADH) e da revista World Health Design.

Um dos trechos chamou a atenção. Alan cita uma explicação dada no livro “Design ambiental, trabalho e bem-estar: gerenciamento de estresse ocupacional através de mudanças no ambiente de trabalho”, publicado em 1995.

Os escritores J. H. Heerwagen, J.G. Haubach, J. Montgomery e W.C. Weimer contam que, antes de um zoológico ser construído, arquitetos, designers, biólogos, paisagistas, psicólogos de animais e especialistas em construção civil se reúnem e, juntos, criam um ambiente que otimize as condições de moradia para os animais.

São levados em consideração “n” fatores, entre eles espaço adequado para comer, dormir, ficar sozinho ou não. O objetivo é oferecer respaldo ao bem-estar físico, psicossocial e social dos bichos. “Ironicamente, os seres humanos não parecem fazer as mesmas exigências quando um ambiente de trabalho está sendo projetado”, pondera Alan Dilan.

 

Multidisciplinaridade, conceito e conhecimento aplicado

Acredito que Alan Dilan esteja certo: isso acontece com muitos dos projetos voltados ao ser humano, inclusive os da área da saúde, na qual a ACR Arquitetura vem adquirindo mais expertise a cada trabalho.

A nossa solução para que o projeto atenda às necessidades das pessoas é apostar na multidisciplinaridade, pesquisar incessantemente, aprender com o outro, estudar e maturar cada ideia, cada proposta, cada detalhe e sempre conceituar o que está sendo oferecido: tudo deve ter um porquê. Tudo deve ter uma intenção, um objetivo, de preferência em prol do bem-estar do próximo, seja ele quem for.

O projeto arquitetônico deve prever diferentes situações e priorizar o conforto ambiental. A iluminação e a ventilação têm de ser pensadas desde o início e não “compensadas” depois.

Como reforça o arquiteto, urbanista e especialista em Arquitetura e Construção Sustentável Marcelo Nudel: “tanto o projeto de uma casa simples como o de um edifício sofisticado começam com o estudo básico da carga solar”. A partir, buscam-se soluções visando ao bem-estar dos usuários.

 

Soluções nos projetos que promovam melhorias a todos os envolvidos

É preciso pensar em tudo e todos. Na área da saúde – que é complexa e repleta de normas e procedimentos – existe muita gente envolvida e com tarefas diferentes e complementares. Ou então antagônicas mesmo.

O médico e o enfermeiro, por exemplo, precisam um do outro, mas nem sempre compartilham das mesmas opiniões. A Comissão de Controle de Infecção Hospitalar – CCIH, tem uma função a desempenhar e, muitas vezes, acaba restringindo alguns confortos no ambiente clínico – como plantas, cortinas, tapetes etc. – que humanizam o ambiente trazendo conforto e acolhimento ao cliente.

Não dá para propor algo pensando só na enfermagem, só no acompanhante, só no corpo médico, só no paciente… O que faz o arquiteto diante desse conflito? Ele tem que ter um olhar abrangente, panorâmico, sobre todas as disciplinas, se libertar de paradigmas e propor soluções que promovam melhorias para todos que usam aquele ambiente.

 

Design salutogênico, biofílico e essencial

O arquiteto é um conciliador de interesses. Ele cria conceitos e, a partir daí, justifica todas as suas escolhas e passa a enxergar a integridade de todo o projeto. Consequentemente, o usuário daquele ambiente também “enxerga”. Na verdade, ele “sente” que tudo está fluindo bem. Sente-se confortável, seguro, acolhido.

E isso deve acontecer independentemente do conceito adotado. Pode-se optar pelo design salutogênico, que reúne diferentes elementos que promovam a saúde da pessoa; pelo design biofílico, que traz a natureza para dentro do espaço; ou ainda pelo design essencial, que integra a cultura e os costumes locais ao ambiente.

Todos esses – e tantos outros – almejam ao bem-estar físico e emocional do ser humano, que merece viver em ambientes não só funcionais, mas também bonitos.

 

 

 

 

 

 

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