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Retrofit: Uma tendência na Arquitetura também no Brasil.

Retrofit: Uma tendência na Arquitetura também no Brasil.

01 de fevereiro de 2017

Com o passar do tempo, é natural que a deterioração de edificações aconteça. Mas, o que fazer com tamanha quantidade de edifícios antigos e históricos muitas vezes inutilizados, com tecnologia ultrapassada, em péssimas condições que impossibilitam seu uso? Diante deste dilema, surgiu o retrofit. A técnica, extremamente popular em projetos que visam a revitalização de construções antigas, popularizou-se na Europa e Estados Unidos. Estima-se que na Europa pelo menos 50% dos projetos existentes aplicam a técnica do retrofit, como uma opção para trazer uma nova funcionalidade a estas construções, que muitas vezes não possuíam nenhum uso, mas contribuem diretamente com sua beleza arquitetônica e conta uma história.

 

Definição e Conceito

 

A palavra retrofit é formada pela junção do prefixo retro (do latim “movimentar-se para trás) e do sufixo fit (do inglês, que significa adaptação, ajuste). A junção dos dois termos define perfeitamente o conceito da técnica, que busca revitalizar edificações, promovendo soluções para fachadas, instalações elétricas e hidráulicas, circulação, proteção contra incêndio etc. Muito além de uma simples reforma, o conceito de retrofit está ligado à preservação da memória com o renascimento do bem arquitetônico modernizando-o e o readequando.  Podemos dizer que a médio e longo prazo,  retrofit com bom planejamento e modernização de instalações aumenta a vida útil do edifício, diminui os custos com manutenção e amplia as possibilidades de uso do edifício.

 

Quando utilizar o retrofit

 

Edificações construídas há mais de 40 anos eventualmente necessitam de reformas para corrigir distorções do projeto inicial, que aumentam exponencialmente os custos operacionais e de manutenção. As partes hidráulicas e elétricas são as que mais se deterioram com a passagem do tempo, gerando um grande desperdício. Utilizando as técnicas de retrofit, é possível sanar estes problemas, além de adequar a construção às novas necessidades do projeto atual, diferentes da época em que ocorreu a construção. Quando é feito um retrofit em um local, nem sempre terá o mesmo uso e finalidade que possuía anteriormente. Outro ponto é o tombamento histórico. Em imóveis protegidos, as características externas não podem ser alteradas. Sendo assim, a única forma de viabilizar seu uso é com o retrofit.

Porém antes de optar pela utilização do retrofit é preciso muita observação, cautela e respeito por parte da equipe de profissionais. O primeiro passo é analisar muito bem a relação custo-benefício, pois via de regra, o retrofit é mais caro do que uma construção nova. Por isso, é preciso sempre levar em consideração fatores relativos, como a valorização do imóvel, localização e conservação do patrimônio.

 

Retrofit no Brasil

 

A preocupação em manter viva a memória arquitetônica no Brasil é recente. Com a escassez de terrenos em boas localizações e a especulação imobiliária, era comum encontrar casarões em processo de demolição, para que no terreno fossem levantados arranha-céus. Felizmente, esse comportamento vem sendo alterado, estimulado pelas leis que tutelam o patrimônio histórico. São Paulo e Rio de Janeiro ranqueiam como as cidades brasileiras onde mais se utiliza o retrofit. Adequando-se às novas exigências e normas da legislação vigente, como a acessibilidade, segurança contra incêndio entre outras, é possível readequar as edificações antigas, tornando-as funcionais e agregando muito valor.

 

Edificações utilizando técnicas de retrofit são sustentáveis?

 

A principal característica do retrofit é aproveitar uma construção e isso já carrega em si o conceito da sustentabilidade. A reciclagem e reutilização de materiais durante o processo de reforma viabiliza a aplicação de tecnologias sustentáveis, que promovam uma maior eficiência no consumo de energia. Estima-se que os sistemas de resfriamento e iluminação sejam responsáveis por 70% do total da energia consumida. Com o retrofit, é possível alcançar uma economia de 30%.

 

Retrofits na Área da Saúde por acr arquitetura

 

Conseguir adequar edificações para atender protocolos médicos, fluxos de operação e logística estão entre as expertises que a acr desenvolveu ao longo de sua existência, sempre aplicando conceitos de humanização e economia de recursos.

Um recente projeto que representa esta complexidade do retrofit em patrimônios históricos foi o Laboratório de Ressonância Magnética em Neurorradiologia, ligado ao Departamento de Radiologia da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP).  Denominado de LIM 44( Laboratório de Investigação Médica no. 44), uma das principais preocupações durante a execução do projeto foi manter as características originais da edificação, datada de 1913 e tombada em 1981.

 

Outro projeto de retrofit no portifólio da acr arquitetura foi a unidade da rede de Medicina Diagnóstica Salomão Zoppi, localizada em Osasco. A acr teve em suas mãos o desafio de adequar os 1.250 m2 , onde funcionava uma antiga agência bancária em um laboratório. Observando os protocolos específicos para o funcionamento da tecnologia de Ressonância Magnética no espaço, foi criada uma infraestrutura capaz de oferecer aos usuários todos os serviços da rede.

 

Outros belos exemplos de retrofit em São Paulo:

 

Em 1993 deu-se início a intervenção no Liceu de Artes e Ofícios para abrigar a Pinacoteca do Estado de São Paulo, um dos museus artísticos mais antigos da cidade com projeto original do arquiteto Ramos de Azevedo. O projeto, concluído em 1995, promoveu a instalação de uma nova rede elétrica e sanitária, além de elevadores para atender às normas de acessibilidade. A utilização de um telhado com vidros conseguiu levar iluminação natural no interior da construção.

 

Lina Bo Bardi esteve à frente do projeto de requalificação do edifício do Sesc Pompeia, em São Paulo. O projeto, concebido em 1977 e construído em 1982 transformou duas fábricas de tambores na estrutura como a conhecemos hoje. Vanguardista para a época, a arquiteta conseguiu transformar a rigidez do espaço, reorganizando os galpões e dando a eles novas funcionalidades, como um restaurante, biblioteca, área de convivência e teatro.

 

Vantagens do Retrofit

 

 

Qualquer tipo de edificação pode passar por um Retrofit?

 

Qualquer tipo de edificação pode passar por um Retrofit, existem até mesmo projetos que abrangem bairros inteiros. Porém, existem algumas situações mais específicas onde aplicar o retrofit geralmente é a melhor alternativa:

 

 

Conclusão: retrofit é uma tendência na arquitetura atual, é um mercado que tem tudo para crescer muito mais, devido à crescente escassez de terrenos nas metrópoles,  do alto preço da maioria deles, para não falar do próprio custo da construção.

 

 

 

 

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